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Leonardo Luz

Crescimento e equity

Como preparar a empresa para venda: o que a due diligence vai encontrar

5 min de leitura por Leonardo Luz

Ilustração conceitual — Como preparar a empresa para venda: o que a due diligence vai encontrar

O preço de uma empresa não é decidido na negociação. Ele é decidido antes, na qualidade do que a empresa consegue provar sobre si mesma. Comprador não paga por faturamento: paga por previsibilidade e por risco baixo de o resultado desaparecer depois que o dono sai. A due diligence existe para testar exatamente isso, e ela sempre abre as mesmas cinco frentes.

O comprador não compra faturamento

Duas empresas com a mesma receita recebem propostas muito diferentes. A diferença está em quanto do resultado sobrevive à troca de comando, em quanto da receita é recorrente ou previsível, e em quanto do que a empresa sabe está registrado em algum lugar que não seja a cabeça de três pessoas.

Frente 1: números que se sustentam

Balanço, apuração de resultado e extrato precisam contar a mesma história. Receita reconhecida fora do período, despesa pessoal dentro da empresa e ajuste informal de lucro são os achados que mais derrubam preço, porque nenhum comprador consegue medir o que não consegue auditar. Se a contabilidade existe apenas para fins fiscais, existe trabalho de organização antes de qualquer conversa.

Frente 2: contratos e concentração

Contrato vencido, renovação verbal e ausência de cláusula de continuidade em caso de mudança de controle criam risco direto. Concentração também: quando um cliente responde por uma fatia grande da receita, o comprador desconta o preço ou transforma parte dele em pagamento condicionado a resultado futuro.

Frente 3: dependência do dono

É a frente mais cara e a menos discutida. Se decisão, relacionamento comercial e conhecimento técnico passam pelo dono, o comprador está comprando um emprego, não um ativo. É por isso que preparar a empresa para venda e reduzir a dependência do dono são, na prática, o mesmo trabalho.

Frente 4: pessoas e conhecimento

Quem sustenta a operação tem contrato, função definida e substituto possível? Existe processo escrito para o que é crítico? Time sem formalização, ou entrega que depende de uma única pessoa, é passivo mesmo quando todos estão satisfeitos hoje.

Frente 5: o passivo que aparece depois

Processo trabalhista, pendência fiscal, licença ausente, marca não registrada e código de software sem cessão formal de direitos. Os dois últimos surpreendem mais do que deveriam: empresa de tecnologia que não é proprietária formal do que desenvolveu, ou que opera com um nome pertencente a outro registro, vende por menos ou não vende.

Em resumo

Números auditáveis, contratos vigentes e pouco concentrados, operação que funciona sem o dono, conhecimento registrado, passivo mapeado. Cinco frentes. Todas levam mais tempo para arrumar do que para descobrir.

A regra dos dezoito meses

Quase tudo dessa lista exige histórico. Contabilidade organizada vale quando existem pelo menos dois exercícios consistentes. Receita recorrente vale quando dá para mostrar a série. Autonomia vale quando já foi testada na ausência do dono. Por isso a preparação séria começa entre doze e dezoito meses antes de existir comprador, não depois da primeira proposta.

Onde este artigo para

As cinco frentes são públicas. O que não cabe em artigo é decidir qual delas você vai arrumar primeiro, com o caixa e o time que você tem hoje, sabendo que arrumar uma delas atrapalha o resultado do trimestre.

Na Imersão Empreendedor essa lista é usada de trás para frente: não preparar para vender, e sim preparar para não precisar vender por falta de opção. Antes de tudo isso, vale entender como um valuation funciona na prática e fazer o teste da ausência.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para preparar uma empresa para venda?

Entre doze e dezoito meses no cenário comum, porque a maior parte do que o comprador avalia depende de histórico: dois exercícios contábeis consistentes, série de receita recorrente e evidência de que a operação funciona sem o dono. Preparação iniciada depois da primeira proposta costuma reduzir preço ou transferir parte dele para pagamento condicionado.

O que mais derruba o valor de uma empresa na due diligence?

Três coisas, nessa ordem: números que não se sustentam quando confrontados com extratos e obrigações; dependência do dono para decisão e relacionamento comercial; passivo não mapeado, principalmente trabalhista, fiscal e de propriedade intelectual. Concentração de receita em poucos clientes vem em seguida.

Preciso de assessoria para vender minha empresa?

Para avaliação, estrutura da operação e contrato, sim: envolve áreas jurídica, contábil e tributária em que o erro é caro. Mas a preparação anterior, que é o que efetivamente define o preço, é trabalho interno e começa antes de qualquer assessor entrar.

Leonardo Luz

Leonardo Luz

Empresário e investidor. CEO e fundador da Vitalis, um venture studio que entra na execução, estrutura produto e tecnologia e participa com equity. Autor de O Próximo Ativo. Palestrante em congressos, convenções e eventos de inovação.

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