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Leonardo Luz

Novos negócios

Como criar uma segunda fonte de receita dentro de uma empresa que já existe

4 min de leitura por Leonardo Luz

Ilustração conceitual — Como criar uma segunda fonte de receita dentro de uma empresa que já existe

Uma segunda fonte de receita bem construída nasce de uma capacidade que a empresa já domina e que hoje ela usa apenas para si — não de um mercado novo que pareceu atraente. Isso muda tudo: reduz o custo de aprender, encurta o tempo até a primeira venda e diminui a chance de a novidade sequestrar a atenção do negócio principal.

Motor 1 e Motor 2

Chamo de Motor 1 o negócio que já existe: vende, emprega, atende e produz caixa. Motor 2 é o espaço em que hipóteses são investigadas antes do compromisso. Os dois precisam de regras diferentes — o Motor 1 é avaliado por previsibilidade, o Motor 2 por aprendizado. Julgar o Motor 2 com a régua do Motor 1 mata a iniciativa no terceiro mês.

Onde procurar o Motor 2 dentro da sua empresa

  • O que os clientes pedem e você recusa. A lista de “não fazemos isso” é o mapa mais barato de demanda existente.
  • O que você construiu para uso interno. Planilha, método, sistema, treinamento. Se resolve o seu problema, provavelmente resolve o de mais gente.
  • A capacidade escassa que você já tem. Um time, uma licença, um relacionamento, um dado que ninguém mais reúne.
  • A etapa da cadeia que te irrita. Se um fornecedor te atende mal e você já sabe fazer melhor, existe negócio ali.

As três regras que evitam o desastre

  1. Orçamento fechado e declarado. Quanto você aceita perder até a primeira evidência, definido antes.
  2. Uma pessoa responsável com nome. Motor 2 tocado “por todo mundo nas horas vagas” nunca sai.
  3. Uma data de decisão. Não “vamos ver como anda”, e sim “em 30 de junho decidimos continuar, mudar ou encerrar, com base neste número”.
Em resumo

Procure a segunda receita no que você já sabe fazer e já recusa vender. Separe as réguas: Motor 1 por previsibilidade, Motor 2 por aprendizado. Orçamento fechado, responsável com nome e data de decisão marcada.

O erro clássico

Tirar a melhor pessoa do Motor 1 para tocar o Motor 2 e, ao mesmo tempo, exigir que o Motor 1 não perca ritmo. Isso não é aposta, é sabotagem dos dois lados. Ou você aceita o custo no principal, ou dimensiona o novo para caber no que sobra.

Onde este artigo para

Achar candidatos a Motor 2 é a parte divertida. Decidir qual deles merece o seu orçamento e a sua atenção — e qual estrutura ele deve ter: interno, incorporado à oferta, unidade separada ou empresa nova — é a parte que muda o resultado em três anos.

Essa comparação, com consequências explícitas de foco, imposto, sociedade e risco, é o quarto movimento da Imersão Startup e um dos eixos de O Próximo Ativo.

Perguntas frequentes

Como criar uma segunda fonte de receita numa empresa?

Partindo de uma capacidade que a empresa já domina: o que os clientes pedem e ela recusa, o que ela construiu para uso interno, a capacidade escassa que já possui ou a etapa da cadeia que hoje é mal atendida por fornecedores. Mercado novo escolhido por atratividade custa muito mais caro para aprender.

O que é o Motor 2 de uma empresa?

É o espaço em que hipóteses de novos negócios são investigadas antes do compromisso, em contraste com o Motor 1, que é a operação que já vende, emprega e produz caixa. O Motor 1 é avaliado por previsibilidade e o Motor 2 por aprendizado; usar a mesma régua nos dois mata a iniciativa nova.

Como evitar que um novo negócio prejudique o negócio principal?

Com três regras: orçamento fechado e declarado antes de começar, uma pessoa responsável com nome em vez de esforço coletivo nas horas vagas, e uma data marcada para decidir continuar, mudar ou encerrar com base em um número definido previamente.

Leonardo Luz

Leonardo Luz

Empresário e investidor. CEO e fundador da Vitalis, um venture studio que entra na execução, estrutura produto e tecnologia e participa com equity. Autor de O Próximo Ativo. Palestrante em congressos, convenções e eventos de inovação.

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