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Leonardo Luz

Novos negócios

O Funil do Próximo Ativo: os sete estágios entre um incômodo e um ativo

4 min de leitura por Leonardo Luz

Ilustração conceitual — O Funil do Próximo Ativo: os sete estágios entre um incômodo e um ativo

Problema não é negócio. Solução não é produto. Produto não é necessariamente um ativo. Entre um incômodo que você observou no mercado e alguma coisa que vale dinheiro sem você existem sete estágios — e a maioria dos projetos morre porque pulou um deles achando que já estava três à frente.

Os sete estágios

1. Sinal

Alguém reclamou, gastou tempo ou improvisou uma gambiarra. O sinal é barato e abundante. Ele não prova nada, mas indica onde olhar.

2. Problema

O sinal vira problema quando você consegue nomear quem sente, com que frequência e o que a pessoa faz hoje na falta de solução. Sem essas três informações, você tem uma impressão, não um problema.

3. Evidência

Alguém já pagou — com dinheiro, tempo ou risco — para reduzir esse incômodo. Atenção: “eu compraria” não é evidência. Comportamento passado é.

4. Solução

O menor mecanismo capaz de produzir o resultado. Nem sempre é software. Muitas vezes é uma pessoa fazendo à mão, porque o objetivo aqui é descobrir se o resultado tem valor, e não construir a versão eficiente dele.

5. Repetibilidade

A solução funciona para o segundo e o terceiro cliente com o mesmo esforço? Se cada entrega é um projeto novo, você tem consultoria, o que é legítimo — mas não é produto.

6. Autonomia

Funciona sem você. Sem o fundador na reunião, sem o especialista revisando, sem a exceção que só uma pessoa sabe resolver. É o estágio mais pulado de todos.

7. Ativo

Gera valor de forma repetível e autônoma, e por isso pode ser vendido, licenciado, financiado ou incorporado. Ativo é o que sobrevive à sua ausência e ainda vale dinheiro.

A tentação é sempre a mesma: aumentar o compromisso antes de reduzir a incerteza.

Onde as coisas quebram

Dois saltos concentram quase todas as mortes.

O primeiro é do problema direto para a solução, pulando a evidência. É o projeto que nasce de uma conversa animada, ganha nome, ganha logo, ganha CNPJ — e só descobre no décimo mês que ninguém tinha pagado por aquilo antes.

O segundo é da solução direto para o ativo, pulando repetibilidade e autonomia. É a empresa que tem clientes felizes, receita real e um fundador que não consegue tirar duas semanas de férias. Ela vale menos do que parece, e isso só fica visível quando alguém tenta comprá-la.

Como usar o funil numa decisão real

Pegue a iniciativa em que você mais pensou nos últimos três meses. Responda, sem generosidade:

  • Em que estágio ela realmente está — e não em qual você gostaria que estivesse?
  • Qual é a hipótese que derruba tudo, se estiver errada?
  • Qual é o menor teste capaz de mudar a sua decisão sobre continuar?
  • Qual o limite de investimento até esse teste, definido agora, antes de você ver o resultado?

A quarta pergunta é a que protege o seu dinheiro. Regra de decisão combinada depois do resultado nunca é regra: é justificativa.

Em resumo

Sinal, problema, evidência, solução, repetibilidade, autonomia, ativo. Quase todo projeto que morre pulou a evidência ou pulou a autonomia. Descobrir cedo, e barato, que uma ideia não merece continuar é uma decisão empresarial tão boa quanto acertar.

Não abrir a empresa também é resposta

Nem toda boa ideia precisa virar CNPJ. Ela pode ser mantida interna, incorporada à oferta atual, virar uma unidade ou ser separada de fato. São quatro consequências diferentes de sociedade, imposto, foco e risco — e a comparação deve ser explícita, antes, não depois. Equity se discute depois da evidência. Nunca antes.

Perguntas frequentes

Quais são os estágios do Funil do Próximo Ativo?

São sete: sinal, problema, evidência, solução, repetibilidade, autonomia e ativo. Eles descrevem o caminho entre um incômodo observado no mercado e algo que gera valor de forma repetível e sem depender do fundador.

Qual a diferença entre um produto e um ativo?

Produto é uma solução que funciona e é vendida. Ativo é uma solução que funciona de forma repetível e autônoma — sem o fundador na reunião e sem o especialista revisando — e que por isso pode ser vendida, licenciada, financiada ou incorporada. Uma empresa com produto e sem autonomia vale menos do que parece.

Como saber se uma ideia de negócio merece continuar?

Identifique em qual estágio ela realmente está, nomeie a hipótese que derruba o negócio se estiver errada, desenhe o menor teste capaz de mudar a sua decisão e defina o limite de investimento até esse teste antes de ver o resultado. Regra de decisão combinada depois do resultado não é regra, é justificativa.

Leonardo Luz

Leonardo Luz

Empresário e investidor. CEO e fundador da Vitalis, um venture studio que entra na execução, estrutura produto e tecnologia e participa com equity. Autor de O Próximo Ativo. Palestrante em congressos, convenções e eventos de inovação.

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